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Psicoterapia de grupo

10, julho, 2009 | 1.557 vezes

O objetivo da psicoterapia de grupo-analítica, segundo Ribeiro (1981), é propiciar aos pacientes a comunicação livre, espontânea e em profundidade, sendo o objetivo da terapia a rede de comunicação. Na terapia de grupo os pacientes devem ser participantes ativos, em oposição ao caráter passivo, receptivo do tratamento tradicional.

O terapeuta deve assumir uma atitude receptiva, passiva, flexível, não- diretiva, não- didática, não reagindo em base a motivos pessoais.

De acordo com a teoria de Foulk, citado em Ribeiro, as finalidades da situação terapêutica são as seguintes:

1- “Promover um livre e espontâneo desenvolvimento de relações e comunicações entre os diversos participantes;

2- Permitir ao conflito patogênico repetir-se no contexto do grupo de modo que possa submeter-se ao sistema de valores reconhecidos pelo grupo e vice- versa e que tal sistema possa ser confrontado com o conflito que o provoca;

3- Desenvolver paralelamente a este processo, que uma vez iniciado, se mantém por si mesmo, um alto grau de compreensão profunda.” (Ribeiro,1981:54).

Segundo Ribeiro, o grupo vive na situação aqui e agora, e essa atitude é que impede a neurose de transferência, pois as pessoas estão voltadas para a situação presente e não em buscas eternas do passado, que é o que ocorre na situação psicanalítica a dois.

O analista deve cuidar com a contratransferência, deve analisar tudo que acontece, no que diz respeito a manifestações contratransferênciais. Qualquer que seja a atitude do paciente ou do grupo, não deve reagir ou agir de modo pessoal, seja uma atitude de ódio ou de amor, de idealização ou de desvalorização.

O autor diz que a pessoa que procura tratamento procura sua própria mudança. A mudança em um tratamento mostra que há algo nele que não está bem, que tem necessidade de um melhor autoconhecimento, de uma melhor percepção de suas emoções, sentimentos e do modo como conduz sua vida. No entanto, essa mudança mesmo sendo procurada, causa muito medo no paciente.

Durante o tratamento podem ocorrer mudanças bruscas ou repentinas que podem ser resistências a verdadeira mudança, sendo as mudanças citadas muitas vezes superficiais e passageiras, pois não foram devidamente trabalhadas e interpretadas.

Ribeiro afirma que o grupo passa por três períodos distintos, no decorrer da terapia.

A primeiro é a fase da tomada de posição e conscientização do processo. É a fase em que o grupo percebe que o terapeuta não pode ser visto como quem sabe tudo, aquele que cura e que dará as normas de como comportar-se. Sendo assim, cada um mostrará apenas o seu eu essencial ao grupo. O terapeuta deve mostrar que cada um deve caminha com seus próprios pés.

A segunda fase é a intermediária ou de integração. Nesta fase o grupo se converte realmente em um grupo, deixa de centrar tudo no terapeuta e preocupam-se em si mesmos. Todos já se conhecem e há uma confiança recíproca e profunda.

Sendo o último período, a fase final ou de encontro com a realidade. Nesta fase deve ocorrer o encerramento de modo gradual. Ao final o terapeuta deve ser mais ativo, presente, para preparar o participante para deixar a situação protetora do grupo e se integrarem na vida real.

Segundo Fagan (1975), a meta do terapeuta de grupo é propiciar a interação, comunicar as interpretações pessoais e interpessoais, e facilitar as explorações verbais. A partir disto os membros do grupo poderão explorar seus sentimentos comportamentos e pensamentos, assim como, compreender sua dinâmica histórica atual.

De acordo com a teoria psicanalítica a pessoa que adoece é incapaz de perceber e fazer escolhas realistas. A pessoa distorce a realidade atual por ter na sua infância ter feito distorções, ocorrendo então fixações perceptuais, emocionais e cognitivas. A terapia visa melhorar a percepção e o ajustamento à realidade.

O terapeuta deve considerar as defesa do paciente que o impede de mudar, pois estas lhe dão uma certa pseudo- segurança.. O paciente só consiguirá libertar-se de suas defesas, quando conseguir integrar seu ego, e perceber que o mundo provoca certas inseguranças realistas que podem ser superadas.

O que difere a terapia de grupo para a individual é que nesta o paciente transfere para uma única pessoa, suas relações da infância. Já na terapia de grupo essas transferências são múltiplas, pois dispõe de várias pessoas.

Conforme diz Fagan, o analista de grupos poderá estimular a interação com seu silêncio, com perguntas, comentários e interpretações. Pode trabalhar acontecimentos atuais, assim como, o passado da vida do paciente.

O analista deve provocar que o grupo conte seus sonhos e fantasias e faça associações e sentimentos mútuos. Pode trabalhar com interpretações individuais, assim como intervenções ao grupo como um todo.

A verbalização é a comunicação e a que propicia a interação do grupo, segundo a teoria psicanalítica.

Na psicanálise, a cura acontece quando as partes dissociadas do mundo perceptual, emocional e cognitivo do paciente são integradas. Isso acontece quando na análise de grupo ocorre as “experiências emocionais corretivas”, entre os pacientes, assim como, entre estes e o terapeuta.

Conforme diz Fagan, o paciente vai verbalizando sua biografia e conflitos passados e presentes, vai reexperimentando sentimentos passados na constelação pseudofamiliar do seu grupo terapêutico.

Faz parte do processo curativo, da terapia psicanalítica a tríade:

1) Análise e redução das defesas arcaicas;

2)Experiência e interpretação das ilusões da transferência;

3)Experiência emocional corretiva, dentro de um grupo auto- revelador de outros pacientes.

A Terapia Experencial em Grupos

O terapeuta experiencial também se preocupa em promover a interação e a livre comunicação, entretanto seu interesse não é nas ligações e interpretações psicodinâmicas e sim, no comportamento e sentimentos imediatos. O grupo é encorajado a declarar tudo que pensam e sentem, e a meta principal é “ (…) a aceitação da existência na fluidez da vida, com suas dores e prazeres, e na ambiguidade da existência em face da morte.” (Fagan:185)

Assim como na psicanálise, o experiencialista evita o contato social com seus pacientes. Quanto mais o terapeuta experiencialista estiver em contato com o mundo e consigo próprio, melhores serão suas ofertas, pois será mais intuitivo e criativo para reagir a seus pacientes.

A ênfase de uma terapia experiencial é sobre a singulariedade e espontaneidade do indivíduo em interação grupal. Na gestalt-terapia em grupo, o sonho é visto como a principal recuperação e progresso, contudo a técnica para trabalhar os sonhos é experiencial e não analítica.

Os principais conceitos utilizados nesta abordagem terapêutica é a evitação e negócio inacabado. O negócio inacabado inclui emoções, eventos, recordações, que se demoram inespressados na pessoa organísmica. A evitação é o meio pela qual a pessoa se mantém distante do negócio inacabado. Através da evitação a pessoa se mantém longe de sentimentos que deveriam ser sentidos para que ela pudesse realmente saber o que se passa com ela.

O trabalho com esses dois conceitos tem o objetivo de fazer o paciente ter plena responsabilidade por aquilo que ele é. Para isso o terapeuta proibe nas sessões palavras como: se e mas e as substitui por e; não posso por não quero e sinto-me culpado por ressinto-me de.

REFERÊNCIA:

OSÓRIO, L. C. Grupoterapia Hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

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Priscila Lovato Saúde e Psicologia , , , , ,


  1. maria terezinha m romano
    14, novembro, 2009 em 13:00 | #1

    ola preciso muito da ajuda de vcs estou passando por uma fase emocional muito grande estou entrando em depreçao ,me ajude por favor

  2. maria terezinha m romano
    14, novembro, 2009 em 13:02 | #2

    quero fazer parte do grupo de vcs ,e confio interamente noproficionalismo de vcs

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